A leitura é o mais precioso meio de busca de informações.Seja qual for a idade, nunca é tarde ou cedo demais para ler e aprender. O brasileiro gasta, em média, 5,2 horas por semana lendo livros e mais de 18 horas por semana assistindo televisão.
O brasileiro lê, em média, dois livros por ano. Esse número torna-se tão inexpressivo, se
compararmos à média dos Estados Unidos, Taiwan e Japão, que ultrapassa a soma de 10 livros por habitante.
No Brasil gasta-se, em média, 5,2 horas por semana lendo livros e mais de 18 horas por semana assistindo televisão. A média mundial é de 6,5 horas por semana dedicadas ao livro. Na média de leitura nacional estão também os países miseráveis.
Dos dias 22 a 26 de outubro do ano passado, o Ibope realizou em 60 municípios do Rio Grande do Sul, 1.008 entrevistas, considerando a população a partir de cinco anos de idade. O povo gaúcho está acima da média nacional, no quesito leitura, cerca de 5,5 livros/lidos por ano.
Os pesquisadores afirmam que, por conta da obrigatoriedade escolar, a população que mais se dedica à leitura no país está na faixa etária de12 a 16 anos. É o caso de Daniel Santos, 16 anos.
Estudante da Escola Estadual Bernardo Vieira da Cunha, o garoto afirma que só lê porque a professora exige. “Acho que não se aprende muito lendo, eu prefiro quando a professora explica a matéria e pronto”, diz ele.
Daniel prefere ocupar seu tempo com jogos no videogame ou divertindo-se com os amigos. Além disso, ele diz que, quando se interessa por algum conteúdo, prefere pesquisa-lo na internet: “na internet é mais rápido, a resposta vem na hora só procurando no Google”.
Nem sempre a internet salva. Às vezes é necessário fazer resumos de certas bibliografias e para isso, os alunos da rede estadual de ensino recorrem a bibliotecas públicas. Levando em conta a falta de recursos, muitas vezes os professores são aconselhados a não exigir certos livros, pelo fato destes não estarem disponíveis.
Temos no Brasil cerca de 5.000 bibliotecas, quando estima-se que seriam necessárias pelo menos 11.000. No Brasil, 17% dos municípios não têm nenhuma biblioteca.
Com isso, muitos acabam excluídos não apenas dos conhecimentos pragmáticos, ou estatísticos e gramaticais, mas de conhecer outros lugares e tempos. Através das histórias, dos contos que mexem com o lúdico, aprende-se sobre os assuntos que lhe pede o gosto. Aprende-se a conhecer o próprio gosto.
Palavra de Pedagogo
Segundo a professora do curso de Pedagogia da Unisinos, Ana Cristina Rodrigues, a leitura é fundamental desde o início da vida, mas, muitas vezes isso não ocorre. Em geral nas escolas particulares, ou escolas públicas em comunidades mais estruturadas, as crianças já têm o contato com os livros desde muito cedo. Agora, em escolas públicas, da periferia, situadas em comunidades migrantes, elas chegam à escola com mínima ou nenhuma experiência de letramento. Além disso, muitas vezes são filhos de analfabetos, não se envolvem em práticas letradas e demoram muito tempo para compreender e até estabelecer um relação simbólica tanto com a escrita quanto com a própria escola.
Ana Cristina confirma que a precariedade em certas comunidades dificulta o processo de alfabetização. A falta de livros, de recursos, de materiais básicos, não ajuda em nada a “prender” a atenção das crianças. Por isso é muito complicado falar sobre alfabetização de uma forma única, pois este é um processo que está diretamente relacionado ao contexto onde a escola está inserida. Ele também depende das práticas sócio-culturais que a comunidade e o sujeito têm com a leitura e a escrita.
Crianças que participam de grupos letrados têm condições de se alfabetizar em tenra
idade, por volta dos quatro, cinco anos.O que ocorre é que nesta faixa etária temos elementos mais importantes para explorar do que “forçar” uma alfabetização desnecessária, mas se a criança se interessa, responde bem as demandas, não há nenhum motivo para que não se alfabetize.
Para a professora, os “grupos letrados”, os quais foram citados anteriormente, começam no âmbito familiar. “A família é a base de tudo. O incentivo que é passado aos filhos, instiga-os a ler; os pais colaboram para o processo de sociabilização da criança,” esclarece Ana Cristina.
Em alguns casos o processo de alfabetização é tardio. E, a didática aplicada nestes casos é diferente. O processo de significação já está formado e o aluno já faz idéia do nome das coisas. Não que isso torne o trabalho mais fácil, pois o que realmente facilita é o empenho das pessoas que se disponibilizam a aprender.
“Realizei um sonho e hoje me sinto mais confiante. O mundo mudou para mim”, declaração de Luiza Pinho, dona de casa. No ano passado, Dona Luiza Pinho, de 52 anos conseguiu escrever, pela primeira vez, seu nome completo. Conquista pessoal que até hoje é lembrada como um divisor de águas na vida de Luiza. Ela, que é aluna do EJA, Educação de Jovens e Adultos, fala que sente orgulho em poder assinar seu nome, coisa que antes não podia. “Não saber o que significa as letras no papel é algo muito triste” - exclama Luiza, fazendo remissão ao seu passado.
Filha mais velha de um casal com oito crianças, Luiza trabalhava no campo para ajudar os pais. Ela lembra que nunca teve incentivo para freqüentar escola: “Meus pais diziam que era frescura ler, já que eles também não liam e conseguiam viver. Eles preferiam que eu ficasse trabalhando para ajudar a família”. Situação que jamais voltará a ocorrer na família Pinho. Ela que é mãe de quatro filhos e sempre apoiou o estudo deles. “Meu filho mais velho, de 27 anos, está quase se formando em Direito. Vai ser um ótimo advogado”.
Algumas vezes ela engana-se entre uma letra e outra para escrever, ou na leitura de uma palavra nova. “Eu ainda demoro um pouco pra saber o que está escrito, mas é muito melhor do que ficar perguntando para os outros, você não acha?”, interroga, aos risos. Em sua estante, agora, encontram-se muitos livrinhos (do tipo pocket), com receitas culinárias.
Quem lê tem amplitude de visão e consegue se posicionar criticamente, embasando seus argumentos naquilo que aprendeu com os livros. Além disso, é uma excelente atividade de lazer e o melhor exercício mental.
Treinando a memória
Para o neurologista João Roberto Azevedo, diretor clínico da SONI (Sociedade Neurológica Integrada), a leitura diária contribui para treinar a memória e evitar lapsos. Nenhuma outra atividade neuróbica (aeróbica dos neurônios) mobiliza tantas variações da memória.”Mas não basta simplesmente ler: é preciso refletir sobre o que se está lendo”, salienta Azevedo.
A reflexão é um dos processos mais significativos para quem lê. Mais importante que a quantidade de texto lido, é a qualidade de assimilação que foi feita a partir dele. Por isso, a concentração na hora de ler é muito importante.
Para otimizar o poder de armazenamento das informações lidas, o neurologista recomenda muita atenção e disposição para refletir. “Geralmente, as pessoas mais esquecidas são também as mais distraídas”, afirma ele.
Estudiosos vêem a leitura como pilar para resolução de muitos problemas. No Brasil, país com larga vastidão territorial, a concentração de renda acaba por ser muito diversificada. Os lugares onde as pessoas não têm pão na mesa são os mesmos lugares onde as crianças não têm escola. A educação está fraternamente ligada com a construção de um futuro melhor.
Cada vez mais parece uma utopia esperar que o governo reformule o sistema educacional do Brasil. Falar sobre a leitura já serve de incentivo, pois é difícil achar quem discorde de seus benefícios, mesmo sem saber ler. Além disso, aquele livrinho que está parado na estante, todo empoeirado, é um incentivo maior ainda. Já o leu? Já. Que ótimo! Então doe.
Afinal, você já deve ter lido por aí que quem doa um livro, planta uma idéia.